Sábado, Agosto 25, 2007

A família Caymmi - Nana Caymmi

Nana Caymmi é uma das intérpretes mais expressivas da Música popular Brasileira. Iniciou sua carreira artística em 60, participando do disco Eu não tenho onde morar, de Dorival Caymmi, cantando Acalanto, composta por ele.

Em O mar e o tempo, de 2002, lançado pela Som Livre/Universal, Nana dedicou esse Cd a Dorival Caymmi, reunindo algumas das composições de seu pai, como Festa da rua, Desde ontem, Saudade de Itapoã, Morena do mar, Peguei um Ita no norte, O bem do mar, Adeus, Sargaço mar, Santa Clara Clareou, Cantiga, Saudade da Bahia; Não tem solução (com Carlos Guinle), Você não sabe amar (com Carlos Guinle e Hugo Lima) e E eu sem Maria (com Alcyr Pires Vermelho).

Os arranjos foram feitos por Cristóvão Bastos e Dori Caymmi, e esse álbum contou ainda com as participações de Danilo Caymmi, Jorge Helder, Ricardo Silveira, Marcio Malard, Ricardo Amado, Pedro Amorim, João Lyra, Carlos Bala, entre outros.

(Texto publicado originalmente em 18/4/2005).



A família Caymmi - Dori Caymmi em dois momentos

O cantor e compositor Dori Caymmi iniciou sua carreira artística em 59 e, durante esses anos, atuou como instrumentista, arranjador, produtor e diretor musical, participou de festivais e de álbuns de outros artistas, como os Songbooks Chico Buarque (Januária), Marcos Valle (Eu), Djavan (Faltando um pedaço), Tom Jobim (Eu sei que vou te amar), Edu Lobo (Pra dizer adeus), Ary Barroso (Inquietação) e Dorival Caymmi (Sargaço mar).

Nana Caymmi, Elis Regina, Marianna Leporace, Marcio Lott, Boca Livre, Mônica Salmaso, Renato Braz e MPB-4 são alguns nomes da nossa MPB que interpretaram as suas composições.

Em 80, pela Emi-Odeon, lançou Dori Caymmi, belíssimo álbum, que incluiu algumas de suas composições, como Porto e Alegre menina; Guararapes, Estrela da terra, Desenredo, A porta, Desafio e Tati, a garota (com Paulo César Pinheiro); Saveiros e Festa (com Nelson Motta). Renato Costa foi responsável pela direção de produção; e Paulo César Pinheiro, pela produção executiva desse trabalho. Os arranjos foram de Dori Caymmi, e o álbum contou com as presenças Danilo Caymmi, Gilson Peranzzetta, Joãozinho Gomes, Toninho Horta, entre outros.

Dori Caymmi, de 82, lançado também pela Emi, reuniu a sua composição O homem entre o mar e a terra e as parcerias com Paulo César Pinheiro Serra Branca, Velho piano, Flor das estrelas, Nosso homem em Três Pontas, Desafio, Ilusão, Negro mar e Evangelho. O repertório desse disco incluiu ainda a canção Você já foi à Bahia?, de Dorival Caymmi. Renato Costa ficou encarregado pela direção de produção, e esse trabalho teve as presenças de Gilson Peranzzetta, Danilo Caymmi, Roberto Silva, Luiz Eça, Toninho Horta, dentre outros. Esses dois discos foram relançados pela Emi em Cd, pela Série 2 em 1.

(Texto publicado originalmente em 17/4/2005)



A família Caymmi - Dorival Caymmi

Nascido na Bahia, o cantor e compositor Dorival Caymmi iniciou sua carreira artística na década de 30 e, em 1938, teve a sua canção O que é que a baiana tem, incluída no filme Banana da Terra, estrelado por Carmen Miranda. Suas canções celebram o mar, a Bahia e suas belezas, o amor e a mulher.

Ao longo de sua carreira, Dorival compôs clássicos da nossa Música Popular Brasileira, como Quem vem pra beira do mar, O bem do mar, Rainha do mar, É doce morrer no mar, O mar, Temporal, Promessa de pescador, Saudade de Itapoá, Só louco, Maracangalha, Saudade da Bahia, Vatapá, Lá vem a baiana, Marina, João Valentão, O vento, Dora, Acalanto, Rosa Morena, Samba da minha terra, Santa Clara clareou, Itapoã, Oração de Mãe Menininha, Peguei um Ita no norte, entre outros.

Muitos artistas da nossa música gravaram suas composições, dentre eles, os seus filhos Nana, Dori e Danilo Caymmi, Sylvia Telles, Gal Costa, Elis Regina, Tom Jobim, Chico Buarque, Edu Lobo, Zizi Possi, MPB-4, Quarteto em Cy, Jane Duboc, Mônica Salmaso, Claudio Nucci, Rosa Passos, Jussara Silveira, Jaime Alem e Nair Cândia, Leila Pinheiro, Paula Morelenbaum, Selma Reis, Vânia Bastos, Verônica Sabino, Claudya, Tom da Terra, Garganta Profunda, Joyce, Fatima Guedes, Ney Matogrosso e Jards Macalé.

(Texto publicado originalmente em 15/4/2005).



Capitão de mim: novo de Cd de Fhernanda

Capitão de mim, lançado em 2004, é o mais novo Cd da cantora e compositora Fhernanda. O álbum prima pelo bom gosto e passeia por estilos variados, reunindo composições de Fhernanda, como Ausência de você, No happy, só end, Pra te dizer adeus, Em resumo; Eterna idade (com José Luiz Cardoso); Não tem talvez, Espera só, Que assim seja, Pura magia, Vai saber e Capitão de mim (com Luly Linhares).

A produção geral ficou a cargo de Fhernanda, Pedro Braga cuidou da produção musical, e juntamente com Ricardo Castellanos assinaram os arranjos desse trabalho. O Cd contou ainda com as presenças de Zé Leal (percussão), Ezio Filho (baixo), Luiz Manoel (harmônica), João Carlos Coutinho (pianos), Waltenir Estevão (bateria), dentre outros.

O show de lançamento desse álbum foi no Bar do Tom, em dezembro de 2004 e, além das canções do Cd Capitão de mim, Fhernanda incluiu Coração ascensorista, composta por ela, e as suas parcerias Definitivamente, Procura-se e Gosto de hortelã (com Isolda) e Marajó (com Sarah Benchimol). Fizeram parte ainda do show as canções Maresia (Paulo Machado e Antônio Cícero), Embarcação (Chico Buarque e Francis Hime), Foi Deus (S. Manuel e A. F. Janes) e Vou deixar (Samuel Rosa e Chico Amaral). A direção geral desse espetáculo ficou a cargo de Sarah Benchimol, e Pedro Braga ficou responsável pela direção musical.

(texto publicado originalmente em 13/4/2005)



Irinéa Maria: suas composições, parcerias e trajetória

A carioca Irinéa Maria começou a compor muito cedo, aos 13 anos de idade. Sua primeira canção, chamada Não culpo ninguém, foi gravada por seu irmão, o cantor Sílvio Ribeiro. Ao longo de sua carreira, assinou a direção musical de shows, atuou como violonista e arranjadora e participou de diversos festivais pelo Brasil.

Em 68, participou do Festival Estudantil da Rede Globo, que teve, no júri, nomes como Milton Nascimento, Dori Caymmi, Luiz Bonfá e Mascos Valle. Sua canção Praia só, interpretada por Geise Monteiro, obteve o primeiro lugar.

Em 69, no Festival Universitário da TV Tupi, a cantora Claudette Soares defendeu Vida breve, parceria de Irinéa com Neville Jordan.

Em 71, no Festival Universitário, a cantora Joyce interpretou Mito-Milton, de Irinéa e Geise Monteiro, dedicada ao cantor e compositor Milton Nascimento. George André ganhou o prêmio de melhor arranjador com essa canção.

No Festival Universitário de 72, o cantor Luiz Antônio foi considerado o melhor intérprete ao defender o blue Momento, outra parceria Irinéa com Geise Monteiro.

Na década de 80, participou de cerca de 50 festivais, dentre eles, o de Muriaé, em que a cantora Fabíola defendeu Asa delta, composta por Irinéa e Sueli Corrêa, que ganhou o prêmio de melhor canção.

Nos Festivais de Ouro Preto, a cantora Clarisse Grova interpretou as parcerias de Irinéa Cinco vidas (com Raul Miranda), obtendo o prêmio de melhor intérprete, e Ouro Preto (com Paulo César Feital). Zélia Duncan defendeu Ritmo intenso, de Irinéa e Raul Miranda.

No Festival de Juiz de Fora, Clarisse apresentou a canção Olhos de neblina (Irinéa e Sueli Corrêa), que teve o arranjo assinado por Aécio Flávio.

Luanda Ribeiro defendeu, no Festival de Belo Horizonte, Nordeste do meu peito, parceria de sua mãe Irinéa com Sueli Corrêa.

Zélia Duncan interpretou Qualquer verão (Irinéa e Sueli Corrêa), no Festival de Areal.

No Festival da mulher nas Artes, em 82, Irinéa e Clarisse Grova fizeram dueto em Meias partes, a meu ver, umas das mais belas parcerias de Irinéa com Sueli Corrêa.

Irinéa é uma compositora sensível, criativa e extremamente musical. Sua grande parceira tem sido a letrista Sueli Corrêa, com a qual vem compondo belíssimas canções, que comprovam a grande cumplicidade e sintonia musicais entre elas. Compuseram Languidez, Brilho, Cora coração, Terra e mar, Doce mistério de amar, Meu par, Em ritmo de festa, dentre outras.

Irinéa teve ainda como parceiros Nei Leandro de Castro (Ave perfeita/ canção dedicada a Elis Regina), Raul Miranda (Facho de luz, Duplo sentido, Esse homem e Pano de boca/ canção dedicada a Clarisse Grova), Paulo César Feital (Negritude, Angorá e Resgate), Carlota Marques (Quintais), Clarisse Grova (Obra-prima), Fhernanda (Olhos de Águia), Eliane Stoducto (Vozes, Tenta, Peito tropical e Amaro amor ), Forte demais (Vytória Rudan), Outono (com Jota maranhão), dentre outros.

Clarisse Grova, Jane Duboc, Nina Joh, Andréa França, Vytória Rudan, Fhernanda, Zezé Motta, Olivia Hime, Rosa Marya e Maria Creuza são alguns nomes da nossa Música Popular Brasileira que interpretaram suas composições.

(Texto publicado originalmente em 11/4/2005)



Tributo a Tom Jobim: novo Cd de Claudia Telles

Tributo a Tom Jobim, lançado pela Cid, em 2004, é o Cd mais recente da cantora e compositora Claudia Telles. Intérprete experiente e versátil, Claudia passeou por alguns dos clássicos jobinianos, fazendo-lhe uma belíssima homenagem.

O repertório é de extremo bom gosto e reuniu composições de Tom Jobim e parceiros, como Fotografia, Ana Luiza, Outra vez, Triste; Desafiando, Meditação e Samba de uma nota só (com Newton Mendonça); O grande amor, Briga nunca mais, Caminho de pedra, Lamento no morro e O nosso amor (com Vinícius de Moraes) e Estrada do sol (com Dolores Duran).

Os arranjos foram assinados por Alberto Chimelli, Roberto Menescal, Ugo Motta, Victor Biglione, Alceu Maia e Alexandre De La Peña, e esse projeto teve ainda as presenças de Marcelo Lessa (guitarra e violão), Wilson das Neves (bateria), Don Chacal (percussão), João Bani (percussão), dentre outros.

(Texto publicado originalmente em 2/4/2005)



Gerli e Haroldo Goldfarb homenageiam Paulinho Tapajós

A cantora e compositora Gerli Goldfarb, dona de uma belíssima voz, integrou com seus irmãos o conjunto Araújo, lançou um compacto simples em 79, contendo as suas composições É só querer e A chuva e eu, gravou jingles publicitários e atuou em shows e álbuns de outros nomes da nossa música.

Músico experiente e refinado, Haroldo Goldfarb iniciou sua carreira em 81 e, durante esses anos, trabalhou como pianista e tecladista, acompanhando nomes, como Paulinho Tapajós, Alaíde Costa, Leny Andrade, dentre outros, e atuou ainda como arranjador e produtor musical.

Em 2003, pela Dabliú Discos, a dupla lançou o Cd O lirismo de Paulinho Tapajós, uma belíssima homenagem a esse compositor da Música Popular Brasileira que, durante todos esses anos, vem nos brindando com sua poesia sensível, madura e atemporal, que nos fala, dentre outras coisas, sobre o amor. Esse projeto reuniu algumas das parcerias de Paulinho, como Escrava (com Bororó Felipe), Sapato velho e Coração vadio (com Claudio Nucci), Tempos dos quintais (com Sivuca), Coisas do coração (com Mu Carvalho), Irmãos coragem (com Nonato Buzar), Cantiga por Luciana (com Edmundo Souto), Braço de violão (Raul Ellwanger), Reencontro (com Danilo Caymmi e Edmundo Souto) e Sol e chuva (com Cartola). Esse álbum foi lançado no Japão, acrescido das faixas A árvore (Claudio Nucci e Paulinho Tapajós) e Andança (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho).



Paulinho Tapajós fez participação especial na faixa Coisas do coração. A direção musical e os arranjos ficaram a cargo de Haroldo Goldfarb, e o Cd ainda contou com as presenças de Julio Brau (viola caipira), Anderson Rocha (baixo elétrico), Dino da Costa (percussão e efeitos), dentre outros.

(Texto publicado originalmente em 30/3/2005)





O universo poético e musical de Celso Viáfora

Nascido em São Paulo, o cantor e compositor Celso Viáfora iniciou sua carreira artística no final da década de 70, participando de festivais e compondo para o teatro. Seu primeiro álbum solo, Celso Viáfora, de 92, foi produzido pela Outros Brasis e, em 96, foi relançado em Cd, pela Dabliú Discos. Esse trabalho reuniu as suas composições Altares, Não vou sair, Algodão doce, Mariana, Mil maravilhas, Algo assim de lua, Arte, Olhando Belém, Fatalidade, Fica, vá e Fruta menina, sua parceira com Vicente Barreto.

Celso vem se firmando cada vez mais, como um dos grandes representantes da nossa Música Popular Brasileira, ocupando o lugar que lhe é de direito. Sua poesia madura capta a essência dos sentimentos humanos, da vida, e sua música nos faz bem a alma. Ele é, sem dúvida, um compositor fabuloso.

Sua canção Uma lágrima, uma das minhas prediletas, foi incluída em seu Cd Paixão Candeeira, lançado em 96, pela Dabliú.

Uma lágrima
(Celso Viáfora)

Porque uma lágrima é o coração
Multiplicado que se espalha
Pulsando em cada migalha
De sentimento na ponta de um iceberg
Em movimento rasgando
A Terra do Fogo, alma adentro
Um diamante lapidado pela navalha da emoção
Planeta azul dependurado
Yuri Gagarin na imensidão
Porque uma lágrima é um disparo
Bala dumdum pro coração avaro
O camarim devassando o cenário
O coisa-ruim mostrando desamparo
Cristal de luz, sangue de São Genaro
E, quando chora, o homem fica claro
Pois toda lágrima, sendo emoção
É a razão que se embaralha
O lado punk do canalha
Quando se deita depois do crime da mala
Liga a vitrola e, ouvindo Maria Callas,
Cala e chora
É São Francisco de sandália
Sendo os cabelos de Sansão
Punhal desfeito na limalha
Maria Bonita em Lampião
Porque uma lágrima é um disparo
Balada dumdum pro coração avaro
O camarim devassando o cenário
O coisa-ruim mostrando desamparo
Cristal de luz, sangue de São Genaro
E, quando chora, o homem fica claro
Pois toda lágrima, sendo emoção
É o coração que sangra a alma


(Texto publicado originalmente em 25/3/2005)